sábado, 9 de outubro de 2010

Alguém Para Chamar de Seu.

Estudiosos das relações heterossexuais costumam dizer que os fatores de atracão entre homens e mulheres diferem quanto ao sexo, sendo que as mulheres valorizam, sobretudo, o status e a riqueza e os homens os aspectos físicos e a juventude. E por isso, consideram que os homens são de Marte e as mulheres de Vênus. Sendo assim, só me resta questionar de que planetas vêem gays e lésbicas? Pelo visto, habitamos num planeta desconhecido.

Desconfio que Eu: Alemberg Santana vim do asteróide B 612.

“Esse asteróide só foi visto uma vez ao telescópio, em 1909, por um astrônomo turco. Ele fizera na época uma grande demonstração da sua descoberta num Congresso Internacional de Astronomia. Mas ninguém lhe dera crédito, por causa das roupas que usava. As pessoas grandes são assim.
Felizmente para a reputação do asteróide B 612, um ditador turco obrigou o povo, sob pena de morte, a vestir-se à moda européia. O astrônomo repetiu sua demonstração em 1920, numa elegante casaca. Então, dessa vez, todo o mundo se convenceu.
Se lhes dou esses detalhes sobre o asteróide B 612 e lhes confio o seu número, é por causa das pessoas grandes. As pessoas grandes adoram os números.
Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: “Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que coleciona borboletas?” Mas perguntam: “Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?” Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: “Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado…” elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: “Vi uma casa de seiscentos contos”. Então elas exclamam: “Que beleza!”“ (O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint Exupéry)

Na verdade não desconfio, tenho certeza, por que sou um daqueles “adulto” que cresce em tamanho, mas continua pensando e agindo como O Pequeno Príncipe, acreditando mais no “essencial” que é invisível para os olhos, do que nos números. Vou explicar. Andou-se dizendo que o casamento, no Brasil, andava em declínio, que progressivamente as pessoas estavam casando menos, mas em 2007, baseado em números, o IBGE divulgou que em 2006 foram realizados 889.828 casamentos no Brasil, 6,5% a mais do que em 2005 (835.846). Porém nessa época o IBGE definia o casamento como: “o ato, cerimônia ou processo pela qual é constituída a relação entre o homem e a mulher. A legalidade da união pode ser estabelecida no casamento civil ou religioso com efeito civil e reconhecida pelas leis de cada país. No Brasil, um indivíduo só poderá casar legalmente se o seu estado civil for solteiro, viúvo ou divorciado”. Ou seja, os casamentos gay e heterossexual-não-oficializado não constaram nos números oficiais. Analisaram os números, mas não os fatos. Acredito que nesse período histórico, da qual se falou em declino do casamento, na verdade, a população de forma inconsciente, desejou e fez das suas relações algo privado e não público e oficializado, mas o estado tratou de retomar, conscientemente, o controle sobre as relações e promoveu casamentos coletivos, Brasil a fora.




O casamento era para ser uma relação, não uma instituição, mas normatizaram o casamento e o “normal” tornou-se uma exclusividade heterossexual, regulamentaram o casamento e o casamento virou um documentado. Fizeram do casamento uma fonte de lucro, um marco zero, um controle social. Casar virou sinônimo de ir para forca. No entanto, apesar de já terem ouvido tudo de ruim sobre o casamento, gays do mundo todo se uniram em uma corrente em nome dos direitos iguais, mesmo correndo o risco de verem suas relações inomináveis e livres, virarem mais uma relação normatizada, legalizada e institucionalizada.
Que fique bem claro que não sou contra direitos iguais, direito de escolha e nem do casamento gay (já informei ao IBGE que vivo “maritalmente” com outro homem). E nem estou negando que o casamento normatizado, legalizado e institucionalizado não tenha lá suas vantagens, tem sim em termos jurídicos e por não casar deixamos de ter acesso a 36 itens do Direito Civil, mas vale lembrar das suas desvantagens: atualmente a pensão alimentícia e a divisão de bens viram um atrativo para pessoas de má fé. Viram notícias nas páginas policiais. Tenho amigos gays, por exemplo, que casaram no exterior só para tirarem vantagem da legalização. Por isso e por outras, tenho medo das conseqüências dessa normatização, legalização e institucionalização dessa relação inominável e livre que era essencialmente privada.

PS: Eu tenho um companheiro por gosto e convicção, não por dever.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Teatro Intímo

Nunca tive pretensões de ser um artista, mas tenho uma estreita relação com a arte desde criança. No primário tirava nota dez em todos os trabalhos em Educação Artística - sim, isso era uma matéria e tinha o mesmo peso que a matemática ou biologia. Eu desenhava e pintava como ninguém, era o melhor aluno nessa matéria e isso alimentou sonhos na cabeçinha da minha irmã mais velha, que sonhava ter um irmão artista, em qualquer modalidade de arte: pintor, cantor, ator não lhe importava, desde que eu virasse artista. Virei medico, mas nunca abandonei a arte, porque a arte entranhada nas minhas veias teve e tem mais um papel de auto cura do que de realização artística.
A arte me faz um bem danado, com arte curei quase todas as minhas feridas ou pelo menos tentei. Descobrir-se homossexual é doloroso, é parir a si mesmo. E para celebrar esse novo ser que me tornava, fiz secretamente, vestidinhos coloridos de boneca, para velar o filho que eu não mais seria, fiz vestidinhos pretos de bonecas, escondido numa casa abandonada, ao lado da minha casa. As bonecas eram os meus vudus, vudu fashion.

Beijei meninos e meninas e depois de decidir beijar só os meninos, passei para outras formas de arte e abandonei as bonecas, o vudu fashion já não mais me servia, assim fui passando de uma modalidade de arte para outras artes, de acordo com as minhas necessidades internas, de acordo com as minhas idades.

Fui estilista, design, poeta, modelo, ator-comediante, poeta (novamente), pintor, decorador e agora cronista, nessa ordem. Tudo mais imaginário que real, é verdade. Não tenho tanto talento assim para me considerar um artista, mas tenho muitos anos de passado, talvez mais do que de futuro, suficiente para dizer que tenho um artista dentro de mim. Publicamente sou médico, intimamente um artista. E o bom de ter um artista dentro de si é poder se reinventar a cada dia. Tenho a sensação que o meu passado foi escrito a lápis e toda vez que retorno a ele, modifico alguma coisa, retoco cores e as formas e nada envelhece. O bom de ter um artista dentro de si é que nunca você vai dizer eu fui, porque se vive no gerúndio: estou sendo. E o melhor de ter um artista dentro de si é ter a plena certeza que você não se conhece, porque você não é, está sendo.

Em 1989 em quanto passava a novela Que Rei Sou Eu? , Lula perdia a eleição para Collor, Flávia Cavalcanti era eleita miss Brasil e o Boeing 737-200 da VARIG caía na floresta amazônica (Brasil) eu estava sendo um poeta, pós-adolescente em plena crise existencial. E  Eu: Alemberg Santana, estava escrevendo:


Barman
  

Passei a vida indo de homem a homem,
Como quem vai de bar em bar.
Em todos bebi sempre as mesmas bebidas.
Comi as mesmas comidas. Sempre.
Sempre as mesmas caras, cheiro, fumaça e barulho,
Mas todos com um sabor diferente, próprio.
Porque não eram apenas bebidas ou comida
Eram homens.

Levei minha boca a todas as bocas de copo e homens.
Suei como cerveja.
Sangrei em vinho.
Fui servido em todas as mesas.

Passei por todos os copos, corpos e bares.
Passei pela vida sem chamar atenção.
Sem fazer alarme, como um homem comum.
E a vida passou por mim, como lágrimas sem registro.

Fui aprendendo, sem saber viver.

Aprendi a ser alegre com vodka.
A esquecer a solidão “on the rocks”.
A ter classe,
A borbulhar e estourar como champanhe.
Ou simplesmente partir em cacos,
Como um copo embriagado no final da noite.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cale-se, cale-se, cale-se; cale-se!

     Já tive meus desentendimentos com vizinhos por causa do barulho. Visitei a delegacia por duas vezes, uma vez fui levado e na outra levei um. Foi desgastante, mas também muito lucrativo. Bem distante no tempo e no espaço dos eventos acontecidos, cheguei a conclusão que, no meu caso, não foi só o barulho que me incomodou. A falta de educação e bons modos dos meus vizinhos me incomodavam mais, muito mais. Meu ex-vizinho (agora moro bem longe dele) é fruto de uma família barulhenta, daquelas acostumadas a falar tudo aos berros, desde um cordial e feliz boooooooooom diiiiiiiiiiiiiiiiiiia até um raivoso filhooooo da puuuuuta!  Tudo era dito com alguns decibéis a mais, que a media da humanidade (inteira). O pai tinha amantes, os filhos fumam maconha e tudo me era compartilhado sem a minha autorização. Eram preconceituosos, pervertidos e espaçosos, não se limitavam aos cômodos do apartamento deles, invadiam a minha casa também. Participei de todas as brigas e conversas amenas daquela família, desde a gravidez indesejada da filha as constantes quebra de baço do filho com o pai, sem nunca tê-los visto cara a cara.

[...]
Pirraça pai!
Pirraça mãe!
Pirraça filha!
Eu também sou da família
Eu também quero pirraçar...

Certa noite, eu estava lutando heroicamente contra minha costumeira dor de cabeça (sim, eu tenho enxaqueca, sou doente, pronto - confessei!) e tentando dormir, quando me deparo com repetidos disparos daquele som horrendo, que o MSN emite quando chega uma nova mensagem, no último volume. Educadamente pedi ao meu vizinho, que até já considerava um parente, que abaixasse um pouco o volume do som, que eu estava tentando dormir e ele aos berros, disse: vá se fudeeeeeeeeeeeeeeeeerr! E fui, fui dormir ao lado do meu colega de apartamento que roncava mais que a turbina de um Boeing. Curiosamente, depois de ter passado a raiva, conseguir dormir dentro da turbina do avião, quero dizer, no quarto do meu amigo.

Foi aí que me dei conta de duas coisas óbvias e importantes, mas até então, não pensadas.

Uma: que o corpo humano é uma usina de sons: espirros, tosses, arrotos, peidos, soluços, pigarros, o som da respiração, o batimento cardíaco, tapas, borborigmo (a movimentação de gases no interior do intestino), bruxismo (ranger dos dentes), assovios, som do atrito da pele (esfregando as mãos, cocando...) e claro, a voz. E, mesmo que, se eu fosse surdo, não estaria livre das ondas sonoras. O som se propaga em ondas e as ondas vibram. Meus vizinhos me faziam vibrar, vibrar de aflição.
Eu estranhava seus modos, seus berros, suas opiniões e eu odiava aquela família. Seus berros me assustavam, me desconcentravam e acima de tudo me invadiam por inteiro. Hora, eram tão barulhentos como a onda do mar quebrando sobre as pedras, hora eram ruidosos como a chuva, mas o mar não emite opiniões preconceituosas e nem a chuva maltrata intencionalmente. Sei que a natureza em seu estado bruto é extremamente barulhenta: o vento, o mar, as árvores, os pássaros, os bichos... emitem seus sons e o silêncio absoluto não faz parte da natureza. O som existe é não podemos ligá-lo e desligá-lo ao nosso belo prazer. Eu sei disso tudo e sei que eu não me sinta de fato incomodado com as vozes deles, o que diziam e como diziam me incomodava muito.

Duas: ir à delegacia foi o recurso mais imediato, à primeira vista, para calar a intolerância, a má educação, a perversidade, que aquela família continha. O delegado foi bem enfático com o rapaz e “passou-lhe um pito” e na mãe dele também. Sai de lá com a sensação, imediata, de justiça cumprida e todo empinado por ter vencido, aparentemente, aquela batalha. Ledo engano, eles continuaram preconceituosos, pervertidos e espaçosos, agora com um decibéis a menos, só isso.

Curiosos para saber, por que o meu outro vizinho me levou a delegacia? O motivo foi praticamente o mesmo, ele queixa que a minha casa era um verdadeiro bordel, foi o que quase disse na delegacia, que eu recebia “pessoas” todos os dias na minha casa e não deixa ele dormir, blá, blá, blá ... Verdade em partes, eu recebia meus amigos, às vezes, mas sempre com música ambiente, um bate-papo animado, como umas crises de riso, um pouco mais alto, talvez. Na verdade, ele estranhava meus modos, meus amigos, nossas opiniões e ele odiava gay. Ir à delegacia foi o recurso mais imediato, à primeira vista, para ele calar a homossexualidade, o homem que falava dos seus sentimentos, era vaidoso e gostava de ouvir Cyndi Lauper, Madonna, Fred Mercury, Sade Adu, Seal, Edson Cordeiro, Ney Matogrosso...
Talvez ele tenha saído da delegacia com a sensação, imediata, de justiça cumprida por ter vencido, aparentemente, aquela batalha. Ledo engano, Eu: Alemberg Santana, contínuo mais gay do que nunca, sensível, vaidoso e recebendo meus amigos ao som de Lady Gaga, Beyoncé, Kety Perry, Robbie Williams... agora na minha mansão.

Que rufem os tambores e benditos sejam todos os sons! Pedir silêncio não cala o que se deve calar e nem o que se quer calar, pedir silêncio inibe, reprime, coíbe, mas não repara, concerta e nem modifica. 

domingo, 26 de setembro de 2010

Macacos me mordam!

Minha Nikki que ainda é virgem, mas já sabe apreciar o belo.
Pouco, bem pouco nos separa biologicamente de outros animais. Sangue, órgãos, glândulas e gens nos unem a macacos, porcos e veados. Por outro lado é a nossa imensa capacidade de simbolizar que nos separa deles. Letras, números, ícones, logomarcas, placas são símbolos. Símbolo é aquilo que liga o perceptível ao imperceptível, é aquele desenho de um bonequinho andando no sinal de trânsito que te diz: pode seguir, ou aquele gesto que se faz com a mão fechada com o polegar voltado para cima, querendo dizer que está tudo bem. Macacos, porcos e veados andam, comem e bebem, assim como nós humanos, mas nós vamos além: desfilamos, degustamos e saboreamos. Macacos, porcos, veados e humanos tem órgãos sexuais distintos nos machos e nas fêmeas e praticam sexo, mas só os humanos erotizam, qualificam, condicionam, rotulam, [...], mensuram e vedem o sexo.



A floresta é um verdadeiro motel a céu aberto, a bicharada faz sexo, a toda hora, a todo instante sem medo e “sem grilo”. “Chinfrins, galinhas afim fazem. E jamais dizem não. Corujas sim fazem, sábias como elas são. Muitos perus todos nus fazem. Gaviões, pavões e urubus fazem”. (Chico Buarque – Façamos, vamos amar). Macacos, porcos e veados não usam preservativos e supostamente todo ato sexual entre um macho e uma fêmea, resulta em uma reprodução. Não podemos negar que o ato sexual entre machos e fêmeas, também tem essa função: reprodução, mas também tem muito mais, mesmo entre os bichos que não simbolizam. Os macacos bonobos, por exemplo, não só praticam sexo oral em seus parceiros, como também fazem homéricas orgias, onde rola de tudo: swing (troca de casais), menage, sexo grupal, macho com macho, fêmea com fêmea. Macacos, porcos e veados não divagam em mesas de bares se isso é certo ou errado. Simplesmente fazem. Façamos, vamos amar!


Os humanos inventaram a religião, o estado e a medicina, fizeram do sexo um pecado, um crime e uma doença. Nomeou a fêmea de Mulher e o macho de Homem, atribuiu papeis sociais diferentes para Homens e Mulheres, separam o que vinha junto: o sexo e o prazer e juntaram o que vinha separado: o sexo e a violência. Estabeleceram normas e regras para o sexo, vigiaram e puniram os amantes. Fizeram do nosso sexo uma sentença de morte. 



PS: Eu: Alemberg Santana, pecador, criminoso e doente confesso: eu amo sexo!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Doente Imaginário.

Sarampo pega.
“Hepatite, escarlatina. Estupidez, paralisia. Toxoplasmose, sarampo. Esquizofrenia. Úlcera, trombose. Coqueluche, hipocondria. Sífilis, ciúmes. Asma, cleptomania...” Todas essas doenças citadas na música O Pulso, composta por Arnaldo Antunes (ex-Titãs), já dividiu espaço com a homossexualidade, num livrinho, usado por profissionais da área de saúde, governos e entidades privadas, chamado CID - Código Internacional de Doenças. O qual “fornece códigos relativos à classificação de doenças e de uma grande variedade de sinais, sintomas, aspectos anormais, queixas, circunstâncias sociais e causas externas para ferimentos ou doenças. A cada estado de saúde é atribuída uma categoria única à qual corresponde um código, que contém até 6 caracteres”. (Wikipédia). Aquelas letrinhas e número que vem no seu atestado médico, como: J11.0, que significa: Influenza (gripe) com pneumonia, devida a vírus não identificado, ou A09, Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível.

Bandeira da OMS
Pois é, a homossexualidade já foi considerada oficialmente uma doença e esteve presente no CID até a sua 9ª edição. Tudo começou com o estudo do sexólogo Richard von Krafft-Ebing que listou a homossexualidade junto com 200 outros estudos de casos de práticas sexuais desviantes, em sua obra Psychopathia Sexualis (1886). Propondo que a homossexualidade era causada por uma "inversão” durante o nascimento ou adquirida. Isso foi suficiente para tornar a homossexualidade uma doença e para curar os homossexuais (ou invertidos)  a medicina da época propôs de tudo: confinamento, choques elétricos, altas doses de medicações, psicoterapia, terapia de família e até transplante de testículos.

De 1952 a 1973, a homossexualidade constava como uma desordem mental, no Manual de Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (DSM), da Associação Americana de Psiquiatria. Em 17 de maio de 1990, na Quadragésima Terceira Assembléia Mundial da Saúde, a OMS - Organização Mundial de Saúde divulgou que retirou do CID os códigos que vinculavam a homossexualidade a doença e desde então vários órgãos e entidades de classes vêm retirando dos seus “livrinhos”, códigos de igual ou semelhante teor. Como também, tem orientando a médicos e psicólogos a não colaborarem com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade. OK, Senhores, a homossexualidade não é mais uma doença! Eu: Alemberg Santana agradeço em meu nome e em nome de todos nós.
Vacina Anti-Gay.
Só que isso ainda é pouco, solicito da OMS, a exemplo da Igreja Católica Apostólica Romana na figura do papa João Paulo II, que pediu perdão a Humanidade pela Inquisição e aos judeus por ter se calado frente ao nazismo e na figura de Bento XVI, aos fiéis irlandeses, por abusos sexuais cometidos por bispos da igreja no país, que peça perdão a nós, homossexuais, por nos ter rotulado de doentes. E complete o serviço, retirando do CID-10, os códigos: F63 (Transtornos dos hábitos e dos impulsos), F64 (Transtornos da identidade sexual), F65 (Transtornos da preferência sexual) e F66 (Transtornos psicológicos e comportamentais associados ao desenvolvimento sexual e à sua orientação). Pois é preciso, que fique bem claro, de uma vez por toda, que nós não somos invertidos, doentes e nem transtornados, antes que algum engraçadinho queira inventar uma vacina anti-gay.

sábado, 18 de setembro de 2010

Desce do Salto Menino!

Luis XIV - O Rei Sol
De meia-calça, salto alto, peruca e claro muita maquilagem, um HOMEM de apenas 1,60 de altura, passou para a história com o pomposo título de Rei Sol, assim era o rei Luís XIV da França (1638 – 1715). Depois veio seu sucessor, Luis XV (1715-1774), que também passou para história usando salto alto e peruca branca. E de tão perfumado, seu reinado ficou conhecido como a Côrte Perfumada. Nesse período, não só na França como mundo a fora; os homens abusavam dos acessórios, maquilagens e trejeitos.

Na Inglaterra, no assim chamado teatro elisabetano (1558-1625), só os homens podiam subir ao palco para representar e todos os papéis femininos eram encenados por homens jovens. Nesse mesmo período, na Itália e em alguns outros países da Europa, rapazes eram castrados, no início da puberdade, para conservar a voz doce, delicada e suave, na “tessitura feminina para os coros eclesiásticos, já que a Igreja Católica Apostólica Romana proibia mulheres em seus corais”. No Japão, no ano de 1629 o governo proibiu as mulheres de encenar no teatro Kabuki e assim homens travestidos encenavam todos os papeis feminino do espetáculo.

Homens maquiados, enfeitados e até (propositalmente) afeminados não é exclusividade do nosso tempo, a moda e os modos masculinos mudaram drasticamente de um século para outro, hora os homens eram mais delicados, hora mais endurecidos, hora conviviam pacificamente com os vários modelos de homem, hora em conflito, mas só recentemente começou a se falar, insistentemente, na CRISE DO MASCULINO.

David Beckham - que usa maquilagem.
Entretanto, quando o homem desceu do salto, ninguém falou em crise do masculino, quando o homem proibiu a mulher de cantar, dançar e encenar, apropriando-se da sua delicadeza e sedução, ninguém falou da crise do masculino. Hoje, onde psicólogos e sociólogos vêem a crise do masculino, Eu: Alemberg Santana vejo uma evolução continua no masculino, a mesma evolução que está contida em tudo que tem vida ou relacionada a ela. Pois, segundo o dicionário Aurélio, crise é "o ponto de transição entre uma época de prosperidade e outra de depressão. Fase difícil, grave, na evolução das coisas, dos sentimentos, dos fatos; colapso”. E para Caldas Aulete é uma “conjuntura cheia de aflições, incertezas e perigo”. E pelo exposto acima o masculino de hoje não é nem melhor e nem pior do que de épocas passada, apenas diferente. E nem está passando de uma época de prosperidade para uma de depressão. 

Nany People
um modelo de homem contemporâneo
A moda evoluiu e os modos também, por um tempo homem de salto alto, maquiado e de peruca saiu de moda (por uns séculos, é bem verdade) e hoje retorna nos metrossexuais, crossdress, travestis e afins. Vale lembrar que nem todos os homens dos séculos XVI e XVII usam salto alto, assim como nem todos os homens de hoje também não, julgar que há uma crise no masculino apenas pelo comportamento e modos de um grupo de homens e no mínino uma insanidade. Ou será que “O MASCULINO” é uma coisa só e imutável? Acredito que não e plagiando Martinho da Vila, digo: existem homens de todas as cores, idades e amores, atrevido, acanhados, carentes e até meretriz.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Closet de Pandora

A caixa de Pandora
Segundo a mitologia grega, Pandora foi a primeira mulher a habitar a terra, criada por Hefesto e Atena, auxiliados por todos os deuses, sob as ordens de Zeus. Cada um lhe deu uma qualidade. Como nem tudo é perfeito, nem no mundo espiritual, Hermes, porém pôs no seu coração a mentira e a traição. Feita à semelhança das deusas imortais, destinou-a Zeus à espécie humana, como punição por terem os homens recebido de Prometeu o fogo divino. Enviada a Epimeteu, a quem Prometeu recomendara que não recebesse nenhum presente dos deuses. Vendo-lhe a radiante beleza, Epimeteu esqueceu quanto lhe fora dito pelo irmão e a tomou como esposa. Epimeteu tinha em seu poder uma caixa que antes lhe haviam dado os deuses, que continha todos os males. Avisou a mulher que não a abrisse. Pandora não resistiu à curiosidade. Abriu-a e os males escaparam. Esta é uma das muitas versões do mito de Pandora, existem outras, mais elaborados e menos dramáticas, mas é esta que vou usar para mostrar o quanto o mundo heterossexual teme a “Revolução Gay”. Porém, antes vamos conhecer a origem da tão famosa expressão: sair do armário ou come out of closet.

“O termo inglês closet (do latim clausurum, particípio presente do verbo claudere, que significa “fechar”) teve muitas outras significações antes de se referir à homossexualidade clandestina. Assim, denotou um lugar fechado, privado, no qual se tem conversações secretas, ou um lugar para guardar objetos preciosos. Assim, representa o privado em oposição ao público; o íntimo em oposição ao social; o que está escondido em oposição ao que está descoberto. Como derivação desses sentidos, a expressa to come out of closet (“sair do armário”, às vezes reduzida para to come out) refere-se, atualmente, ao fato de assumir plenamente sua homossexualidade, tanto na esfera pública como na privada”. (Marina Castañeda em A Experiência Homossexual, A Girafa Editora, 2007)
Bem, agora que a tal Pandora já foi devidamente apresentada e vocês já sabem de que closet Eu: Alemberg Santana estou falando, vamos conhecer a minha teoria que explica o medo e a necessidade de permanecermos no closet (armário).
Todos os povos do mundo têm seus próprios mitos e os mitos se destinam explicar a realidade, os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do mundo e do ser humano por meio de deuses, semi-deuses e heróis. Mudam-se os personagens e a maneira como são narrados os mitos, mas às vezes podemos agrupar os mitos por temas. E este nos traz a temática, já conhecida na Bíblia, nos capítulos iniciais do livro do Gênesis, onde o conhecimento (o novo) é apresentado como o responsável pela Humanidade viver em desgraça. Como se tudo que já existe em algum lugar, quer seja dentro da caixa de Pandora ou que brota da árvore do conhecimento do bem e do mal, ou reside dentro do armário, quando revelado ou colhido, irá necessariamente destituir o homem da sua inocência necessária para manter a ordem vigente. Ou seja, a Humanidade carrega em si, desde o começo das civilizações, um medo ancestral de tudo que é novo, pois acredita que de alguma maneira o novo irá anular o velho, no nosso caso que o casamento igualitário irá acabar com o casamento heterossexual, com a família e por fim com a humanidade inteira (por uma esterilização voluntária ou algo semelhante).
Releitura de O Grito - Edvard Munch
O medo do novo está presente em toda a história da Humanidade, foi assim, com a abolição da escravatura, quando o negro começou a freqüentar as universidades, quando a mulher começou a trabalhar fora de casa, quando surgiram as primeiras leis do divórcio, a pílula anticoncepcional, etc, etc e etc. A “Revolução Homossexual” (ou movimento Queer), agora é o novo que de novo amedronta a Humanidade e nós gays que somos humanos e fazemos parte dessa massa, temos medo do novo que há dentro de cada um de nós. E assim, o closet de Pandora não serve apenas para nos escondermos, serve também para esconder o que a Humanidade não quer ver e nos poupar de uma falsa cresça de que nós somos os responsáveis por tirar da Humanidade, mais uma vez, sua suposta inocência: homem não chora, não se enfeita e nem discute relação, as famílias são necessariamente composta por um pai e uma mãe, a mulher é o segundo sexo, delicada e precisa do homem para sobreviver... Santa Inocência!